quinta-feira, 2 de junho de 2016

ENCEFALOPATIA ESPONGIFORME BOVINA EEB


 
   
 Encefalopatia espongiforme bovina EEB 
 
 
   
 A Encefalopatia Espongiforme Bovina - EEB, também conhecida como "doença da vaca louca", é causada por um novo tipo de agente infeccioso denominado prion, derivado de uma proteína da membrana de células nervosas que quando modificada, provoca um quadro degenerativo crônico e transmissível do sistema nervoso central (SNC) de bovinos.

Recentemente foi descrita que a versão normal da proteína celular é abundante na superfície dos neurônios, desde os répteis aos mamíferos, que tem por função o bom funcionamento do cérebro enquanto que a versão modificada, o prion, causa a "doença da vaca louca", devido a sua acumulação no tecido cerebral de bovinos, provocando uma gradual deterioração. Observado ao microscópio, o cérebro do animal doente apresenta lesões características que lhe dão o aspecto de esponja, o que explica seu nome. Não está totalmente esclarecido o mecanismo pelo qual a proteína anormal produz as alterações patológicas no cérebro dos indivíduos ou animais afetados.

A origem do Prion é ainda motivo de controvérsia. A teoria mais aceita postula que a proteína celular normal (PrPc) sofreria uma mudança de conformação, formando um tipo insolúvel e patogênico que é o . Por sua vez, a proteína priônica (PrPsc) induziria a transformação de mais proteínas normais em formas anormais, iniciando uma reação em cadeia que aumentaria a produção de PrPsc.

Ao contrário de outros agentes infecciosos como vírus e bactérias, o Prion é o único agente que não estimula uma resposta imune detectável ou reação inflamatória no hospedeiro, como também é altamente resistente aos procedimentos convencionais de inativação.

A doença já foi relatada em bovinos de cerca de 20 países, embora acima de 90% dos casos tenha ocorrido na Grã-Bretanha, onde foram detectados os primeiros casos em 1986, somando até 2003 o total de 183.616 casos, principalmente em vacas leiteiras com mais de 3 anos. Contudo, dados epidemiológicos e revisões de arquivos de preparações histológicas mostram a ocorrência de casos já em 1985 e alguns estudos sugerem que os primeiros casos possam ter ocorrido já na década de 70. Em outros países a doença foi confirmada em um número relativamente pequeno de bovinos nativos e importados, cerca de 4.620 (Alemanha, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Grécia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Liechtenstein, Luxemburgo, Países Baixos, Polônia, Portugal, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Finlândia, República Tcheca e Suíça). Foram detectados apenas casos em bovinos importados nas Ilhas Malvinas, Oman e EUA.

A disseminação da EEB foi claramente ligada ao fornecimento de ração para bovinos contendo farinha de carne e ossos de carcaças de bovinos e ovinos.

Na década de 70 e início da década de 80 ocorreram alterações nos processos de fabricação dessas rações de farinha de carne e osso, cujas temperaturas utilizadas durante o processo de reciclagem de proteína animal não eram suficientemente altas para inativar totalmente o Prion, o que pode ter contribuído para o aparecimento da doença. A ingestão de menos que um grama de cérebro de um animal contaminado é suficiente para produzir a doença.

Uma das principais características da EEB é o período de incubação muito longo, entre 4-5 anos, durante o qual os animais mostram-se perfeitamente saudáveis. Após o aparecimento dos sinais clínicos, a doença evolui para a morte em cerca de 1 a 6 meses. Bovinos afetados por EEB apresentam nervosismo, reação exagerada a estímulos externos e dificuldade de locomoção, principalmente nos membros pélvicos. A EEB ainda não possui tratamento curativo ou preventivo, portanto é fundamental prevenir sua ocorrência.

A doença pode ocorrer em humanos e existem fortes evidências de que a nova variante da doença "Creutzfeldt-Jakob" (vCJD) resulta do consumo de produtos de bovinos infectados com EEB que, em contraste com as formas tradicionais de CJD afeta pacientes jovens.

Desde o aparecimento da EEB no Reino Unido, as autoridades sanitárias brasileiras preocuparam-se em evitar a sua introdução, visando preservar o patrimônio pecuário do nosso País. Tal preocupação expressou-se na forma de rigorosas medidas sanitárias que envolveram, entre outras, a restrição à importação de animais susceptíveis e seus produtos originários de países onde a doença foi registrada, o rastreamento dos bovinos importados dos países de risco, a proibição do uso de farinha de carne e ossos de ruminantes na formulação de rações destinadas aos ruminantes, incluindo a proibição do uso de cama de frango para alimentação de ruminantes. Ressalta-se que o governo brasileiro não importou farinha de carne e osso dos países considerados de risco para a EEB.

A Instrução Normativa Ministerial nº 8, de 13 de fevereiro de 2001 tornou obrigatório o rastreamento de bovinos importados e proibiu o abate e consumo da carne de bovinos importados. Caso ocorra a morte desses animais, o proprietário deverá comunicar o serviço oficial de defesa sanitária animal, que realizará os procedimentos técnicos recomendados e autorizará a destruição da carcaça. Preceitua ainda a referida Instrução Normativa, que todo bovino procedente de países considerados de risco da EEB deverá, quando não mais destinado à finalidade reprodutiva, ser sacrificado e destruído, cabendo neste caso, "indenização pelo Governo Federal ao proprietário do animal sacrificado", a ser paga de acordo com a avaliação prévia realizada por uma Comissão Oficial. Como ainda não existem testes que detectem a EEB nos animais vivos antes de apresentarem os primeiros sintomas, o diagnóstico é baseado no exame de tecido encefálico após a morte, por este motivo, deverá ser colhido material e encaminhado para análise laboratorial.

O sistema de vigilância sanitária da EEB passou a ser realizado conjuntamente ao sistema de vigilância sanitária da raiva animal, que é estabelecido desde 1976. Desta forma, todos os animais com sintomatologia nervosa de caráter progressivo deverão ser submetidos ao diagnóstico diferencial para raiva, EEB e outras encefalites e encefalopatias confundíveis.

A partir de 2002 foi incrementada a vigilância ativa em frigoríficos, tendo como população alvo dessa investigação os bovinos leiteiros acima de 30 meses de idade e todos os bovinos destinados ao abate de emergência.

Em 2003, uma missão Européia de especialistas em EEB avaliou o Risco Geográfico da EEB (Grupo GBR) dos rebanhos brasileiros. Com base nas medidas tomadas, considerou satisfatórias as garantias fornecidas pelo Governo Brasileiro sobre os bovinos importados, classificando o Brasil como risco 1, ou seja, "altamente improvável" de apresentar a ocorrência da EEB.

Um ponto que favoreceu esta classificação foi o fato de que os sistemas de produção de leite e de carne bovina utilizados no Brasil são quase que exclusivamente a pasto e a suplementação alimentar, quando ocorre, utiliza principalmente fontes de proteína de origem vegetal, tornando o país naturalmente refratário ao surgimento e à manutenção da EEB em seu território.

Em 2004, para a implementação das ações de vigilância contra a doença, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento habilitou mais três laboratórios para o Diagnóstico da EEB pelo Exame de Histopatologia, totalizando seis no País:

1. Departamento de Patologia da Universidade Federal de Santa Maria  - UFSM - Referência Nacional
2. Laboratório de Patologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
3. Laboratório de Patologia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS
4. Laboratório de Patologia Animal do Centro de Saúde Animal e Tecnologia Rural da Universidade Federal de Campina Grande/PB
5. Laboratório do Instituto Mineiro de Agropecuária - IMA/MG
6. Laboratório de Anatomia Patológica do Instituto Biológico de São Paulo - SP

Os prejuízos comerciais em países onde estão confirmados casos do mal da vaca louca envolvem não somente a queda no consumo interno da carne bovina, mas também o comércio exterior devido às barreiras sanitárias impostas pela OIE. Exemplificamos os problemas mais recentes ocorridos no Canadá e Estados Unidos, servindo de alerta aos nossos produtores, que devem realizar programa de prevenção da EEB que contemple obrigatoriamente a qualidade e origem dos alimentos fornecidos aos bovinos. Tendo em vista o risco que representa a EEB à saúde humana, os países produtores e exportadores de proteína animal devem priorizar as questões sanitárias, uma vez que o consumidor em qualquer parte do planeta está cada vez mais conscientizado e exige informações sobre o controle de qualidade, procedência e segurança dos alimentos de origem animal que consome. Para tanto pesquisas devem buscar alternativas que promovam o bem-estar animal, respeitem o ambiente, proporcionem aumento da produtividade e garantam a segurança alimentar.

Fontes consultadas:
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento -http://www.agricultura.gov.br

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